22 de fevereiro de 2013

ceci n’est pas un culo


Disco "Todos os Olhos", Tom Zé | 1973


O disco “Todos os Olhos”, de Tom Zé, está a completar quarenta anos e a sua capa, reconhecida mundialmente e considerada umas das melhores capas do século XX, ainda causa polémica.
Em 1973, em plena ditadura militar no Brasil, surgiu, por parte de Tom Zé e seus amigos poetinhas das letras, dos sons e das imagens, a ideia de desafiar a censura com a criação de uma imagem ambígua para a capa do disco: o olho que tudo vê seria representado por uma bola de gude en el culo de uma mulher. No entanto, durante anos discutiu-se a autenticidade da imagem. O olho não era aquilo que parecia ser! Claro, não era um olho, mas também não era a bola de gude onde diziam estar. Tratava-se, sim, de uma bola de gude, mas presa entre os lábios da mulher – na boca.
Quatro décadas depois, o realizador da imagem, Chico Andrade, resolveu desvendar o mistério. Sim, era uma bola de gude en el culo. Mas, revelada e comprovada a versão do autor, o público decidiu que seria mais interessante se a imagem não fosse aquilo que de facto era e voltou a pôr em causa a autenticidade da imagem, reacendendo a polémica. 
A história soava mais interessante quando o tal olho, que era a bola de gude presa en el culo, era uma bola de gude presa entre os lábios para parecer ser uma bola de gude en el culo! Afinal, o processo de produção muda o sentido da imagem...
Em todo caso, o olho da capa do disco nem é uma coisa e nem outra. É o que é: uma representação.


*bola de gude é berlinde em Portugal.





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