15 de novembro de 2012

always on my mind


Que a fotografia é uma manipulação da realidade material, isto os teóricos e críticos já o disseram. Contudo, esta realidade forjada pode atender, em certas ocasiões, a um desejo de externalizar emoções realmente sinceras e tornar visíveis os sentimentos, evidenciando-os visualmente.
É bem verdade também que os sentimentos já nos dão certas pistas visuais. A paixão, por exemplo, deixa visíveis os seus sinais, independentemente da engenhosidade fotográfica. Ora, se na semiótica médica, pele e olhos amarelados revelam-se sinais de icterícia, na “semiótica do amor”, o brilho nos olhos e o ar aluado são sinais de que o sujeito foi acometido pela paixão... Mas tais sinais, para o ser apaixonado, podem não ser suficientes. Há quem queira representar de forma veemente a paixão, eternizar a imagem do sentimento amoroso e a devoção ao ser amado. E eis que a fotografia, com técnicas das mais primitivas às mais sofisticadas, é capaz de tornar figurativo aquilo que é abstrato. E aí está uma bela fotografia que ilustra bem o amor, porque o essencial pode ser visível aos olhos.


Arquivo Aliança © Museu da Imagem | C.M.B

*** Eu sei que aqueles que me conhecem vão dizer que este blog está a se tornar um lugar muito romântico, e que isto não combina nada, nada comigo. Em minha defesa, só tenho a dizer que o amor é assunto sério. Das ciências médicas à poética das ciências, o amor é um assunto seríssimo!




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