Num desses dias de flanêrie, sentei-me num banco a observar as pessoas e as ruas. Logo um simpático casal de velhinhos atravessou o meu olhar e fisgou-me a
atenção. Mais do que os cabelos brancos,
eles tinham em comum o andar: ambos pendiam o corpo para o mesmo lado, ao caminhar eles mancavam da mesma perna. Será que isto devia-se ao facto de terem ajustado os passos, enquanto esforçavam-se por andar lado a lado, ao longo da vida?
Comecei a observar os demais
casais que passavam, sobretudo os idosos. Era curioso ver como a maioria deles havia
acertado o passo, mesmo se um dos dois tinha as pernas mais compridas, ou
andava com passinhos mais curtos ou mais largos, mais leves ou mais pesados. Pareciam estar a ouvir a mesma música. Teriam eles acabado por se recomporem, entre contratempos e novos compassos, para seguir o mesmo andamento? No fundo, estar com alguém é isto, é (querer) acertar o passo.
Sem acertar o passo, um sempre acabará ficando para trás.
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| Foto de Tomasz Lazar |
Tiê | Só sei dançar com você

